Povos indígenas

Covid-19 cancela ritos e ameaça cultura com morte de idosos

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Festas importantes canceladas. Velórios e outros rituais fúnebres suspensos. O novo coronavírus chegou para populações indígenas atingindo não apenas a saúde, as organizações sociais e econômicas, mas também a cultura.

 

Atualmente, segundo dados da Apib, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, mais de 570 indígenas morreram de covid-19. Segundo a Sesai, são mais de 240 mortes, mas a Secretaria contabiliza apenas os casos em terras indígenas homologadas.

 

Entre as vítimas fatais, estão idosos detentores de grande conhecimento e sabedoria, responsáveis por transmitir, pela oralidade, um mar de conhecimentos ancestrais. Assim, as perdas são ainda mais pesadas para as comunidades. Watatakalu Yawalapíti, uma das lideranças do Alto Xingu, traduz o significado da morte dos anciões.

 

“É uma tristeza tão grande, os nossos livros estão indo embora. E essas pessoas que levaram a doença para dentro são páginas vazias, fazendo com que as páginas cheias de histórias e tradições partam”. Em Pernambuco, o povo Fulni’ô também se despediu de muitos idosos por causa do coronavírus. Maike Sá, sociólogo e artesão do povo Fulni’ô, explica porque a partida de idosos é tão sentida na comunidade.

 

“Os avós, é meio que tradição eles serem responsáveis pela transmissão de conhecimento pelos netos. A respeito da cosmovisão de mundo, como essa cosmovisão se relaciona com o cotidiano do povo. Então, nesse sentido, os avós são responsáveis, talvez até mais que os pais, pela educação de seus netos. Para ensinar o mundo Fulni’ô para os seus netos”.

 

Além do impacto de perder figuras importantes em cada aldeia, muitas comunidades se viram impedidas de realizar rituais significativos. Foi o caso do Kuarup, no Xingu. Na língua Kamaiurá, Kuarup significa “Alegria do Sol”. O ritual é feito após um longo período de luto, pela perda de um familiar, e vem como última despedida da pessoa que fez a sua passagem.

 

O evento ficou para o próximo ano. Watatakalu explica como se deu o adiamento do ritual, que reúne todos os anos cerca de 5 mil pessoas, entre participantes e convidados.

 

Fonte: Agência Brasil


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